Domingo, 18 de Maio de 2008

Convívio

O casal sexagenário assistia à televisão em um domingo à tarde, quando para quebrar a monotomia, ela começa a puxar assunto...

- Acho que para hoje à noite vou fazer uma sopa. Não sei se faço uma canja de galinha, uma sopa de feijão, ou um minestrone.
- Não gosto de sopa.
- Com esse friozinho que anda fazendo, nada melhor que uma sopa para esquentar!
- Não está fazendo frio.
- Acho que vou fazer mesmo um minestrone. Posso usar alguns legumes que comprei hoje na feira. Aliás, sabe quem eu encontrei hoje na feira? A Marina. Ela me disse que a filha da Dona Joana está grávida! Vê se pode! Aquela menina deve ter uns 16 anos, se tanto!
- Não gosto de fofocas.
- Essa juventude de hoje está mesmo mudada! No nosso tempo tudo era diferente! Lembra como foi nosso começo de namoro? Você demorou mais de um mês só para pegar na minha mão!
- Não gosto de ficar lembrando do passado.
- Me diga então, Nabor. Do que você gosta?
- Neste exato momento, tudo o que eu quero é olhar o bundão da Mulher-Melancia na televisão!
- Eu não gosto de bundão.
- Você tá é com inveja! Você diz que não gosta porque não tem um!
- Tenho você, Nabor. Tenho você! Vou fazer minha sopa!

Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

Na padaria

Tem gente que gosta, ama, adora ser complicada.

- Boa tarde senhora, o que vai querer hoje?
- Oi, eu quero um pãozinho de leite. Sabe o que aconteceu? Meu funcionário compra todos os dias dois pãezinhos de leite e eu cheguei em casa agora e vi que só tem um.
- O pão de leite acabou. Pode ser uma binsaguinha?
- Então, meu funcionário, acho que você sabe quem é... (fazendo gesto com a mão), alto assim, de cabelo batitinho. Ele mora em Carapicuiba, e antes de ele ir embora para a casa dele, ele passa aqui na padaria e compra dois pãezinhos de leite, e leva pra minha casa. Meus filhos levam de lanche, eu tenho dois meninos. E de manhã não dá tempo de passar aqui pra comprar, por isso eu deixo o lanche pronto de noite...
- Sei. A senhora vai querer uma ou duas bisnaguinhas?
- Mas a bisnaga é molinha? Porque se não fica ruim para os meus filhos comerem amanhã na hora do lanche. Tem que ser um pão molinho, porque eu faço o lanche para eles levarem na escola, e já deixo pronto hoje de noite. Pela manhã não dá tempo de fazer.
- É mole como o pão de leite. A senhora vai querer uma ou duas?
- Ai eu coloco frios e enrolo naquele filme plástico para o pão não ficar ressecado. Eu quero só uma. O meu funcionário já veio aqui hoje e só levou um pão de leite, mas eu tenho que fazer para os dois meninos. É mole não é? Vai ficar ressecada?
- Não. Está aqui (esticando o braço para dar o pacote), e hoje é por minha conta, a senhora pode ir e não precisa nem passar no caixa.
- (Riso sem graça)... obrigada. Você sabe quem é meu funcionário, né?
- Sei. PRÓXIMO.
- Tchau!
- PRÓXIMO...

Terça-feira, 13 de Maio de 2008

Trabalhar em casa...



... duas coisas me atormentam muito:
















a cama e a geladeira!




Domingo, 11 de Maio de 2008

Para minha Mãe

Ela está sempre sorrindo
Ela é vaidosa, linda e maravilhosa
Ela é batalhadora
Ela sabe compreender seus filhos de maneira diferente porque assim eles os são
Ela soube sempre dizer o não que dói, mas que me educou
Ela está de braços abertos no momento do meu desespero, quando acho que não há uma solução, ela mostra que existe ainda um caminho a percorrer
Ela vibra comigo nos momentos de grande alegria
Ela tem o dom de ensinar sem se decidir por mim
Ela sabe calar e não ultrapassa limites
Ela também erra, e ainda bem, porque não existe mãe perfeita
Ela, sem bola de cristal, sabe prever muitas coisas
Ela sempre diz, "Viva o hoje, minha filha! A vida é feita de escolhas"
Ela não parou no tempo, a idéia de mudar os paradigmas vive em prática
Ela adora um mimo
Ela ama um presentinho
Ela vai continuar pegando no meu pé quanto aos erros de português, mas quando escrevo com emoção ela me perdoa mais fácil... rsrsrs
E Ela vai me ensinar muitas outras coisas

Mamis, te amo
E aqui vai um beijão gigantesco e um abração bem apertado... assim cada dia você ganha um pouquinho!

Sua filha, Andrea

Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

No supermercado

Moro a menos de uma quadra de um Wal-Mart, o que o torna o supermercado que mais frequento, justamente pela comodidade. Para quem não conhece, adianto que o Wal-Mart do Brasil não lembra em absolutamente nada o original norte-americano. Claro que foi adaptado ao mercado e consumidores brasileiros, mas acabou se tornando bastante "popular".

Longe de qualquer preconceito, é incrível como apenas 20 minutos de compras podem fazer aflorar um criticismo tão grande. Esse foi o episódio desta manhã...

Logo na entrada um locutor (pois é! um locutor fica o tempo todo anunciando promoções e ofertas imperdíveis, de batata a pneus) anuncia a promoção de um aclimatador de vinhos.
"Olha só, hein! Agora você vai levar pra casa, pra curtir aquele vinho gostoso com sua família, esse aclimatador de vinhos! E é bom correr porque só temos mais 6 unidades! Custava R$690, mas só hoje, por R$349! É imperdível!"

Pensei que o locutor até poderia estar certo. Olhei em minha volta para me certificar que as pessoas não iriam correr e brigar pelas 6 últimas unidades. Nada aconteceu... ninguém passou nem perto do aclimatador de vinhos. Estranho? Bom, levando em consideração que a maioria das pessoas estava comprando alimentos básicos e gastando somente o necessário, achei que seria difícil alguém pensar algo como "Poxa! Vim aqui só para comprar arroz, batatas e salsicha para a janta dos meus filhos e netos, mas pensando bem, esse aclimatador de vinhos está realmente com um bom preço. Poderia levar um pra colocar aquele Almadem que ganhei no Ano-Novo, e depois que tiver bem aclimatizado, degustá-lo em família, inclusive com as crianças!"

Tá certo! Aposto que os 6 últimos aclimatadores vão ficar um bom tempo por ali. Segui para a seção de bebidas, onde encontrei um sujeito bem "vistoso" comprando umas 20 caixas de cerveja e alguns litros de 51. Ele ria e falava alto no celular, dizendo para alguém que já estava comprando a cerveja, e dizendo que ainda assim iria ser pouca bebida. "Fala pro Zé ou pro Ciço comprá mais cerveja que o que tô levano num vai dá! Mas tô sem dinheiro agora, senão levava mais!" Ele estava com o carrinho cheio de cerveja Crystal e feliz da vida com algum evento importante por vir.

Seguindo meu "tour", me deparei com uma mocinha oferecendo para degustação uma marca nova de margarina. Ela tinha umas torradinhas e oferecia uma delas com a "deliciosa" margarina para quem chegasse perto. Recusei a tentadora oferta e estava me dirigindo para a outra ponta do corredor quando escuto uma voz urrante atrás de mim: "Ô fia! Vem fia, que a moça tá dâno!" A senhora berrava para a filha dela que estava quase ao meu lado, a não mais de 3 metros das saborosas torradinhas.

Sim, senhora. É de graça! Aproveite para comer quantas você conseguir! Chame os amigos, os filhos e netos para acabar com as torradas com manteiga e ficarem com o bucho cheio! É de graça! Não recuse! Mesmo se fosse torradinha com merda a senhora aceitaria.

Na hora de ir embora, me dirigi ao caixa rápido para até 20 unidades. Quando estava quase chegando ao final da fila, o "simpático" sujeito da cerveja acelerou seu carrinho e entrou na minha frente. Pelo seu sorriso, percebi que ele ficou bem satisfeito em ter conseguido uma posição de vantagem em relação à mim. Não me contive e tentei iniciar uma "amigável" conversa.
"O senhor deve ser bem esperto, não?"
"Como?"
"Disse que o senhor deve ser bem esperto! Não é qualquer um que consegue acelerar o carrinho e propositadamente passar na frente de outra pessoa na fila. É preciso calcular a distância que separa o senhor de seu oponente, a velocidade que seu carrinho deverá ter, e a força que será empregada, considerando o peso que carrega, para empurrar o carrinho. Eu não conseguiria fazer tudo isso em um curtíssimo espaço de tempo! Admiro o senhor!"
O sujeito fechou a cara e virou para frente resmungando. Mesmo assim, não aguentei e insisti em um novo papo.
"O senhor vai dar uma festa? Com essa quantidade de bebida, mais de 20 caixas de cerveja, só pode ser mesmo uma bela festa!"
Nenhuma resposta.
"A festa é hoje, ou é para o final de semana? Dia das mães no domingo, churrasco em família..."
O homem se virou com cara de poucos amigos e disse:
"Não te interessa! E me deixa em paz!"
"Claro, me desculpe. Mas me responda só uma coisinha. Curiosidade minha... Que tipo de música vai acompanhar a comemoração que o senhor vai ter?"
Sem resposta. Fui para casa imaginando o churrasco de "meu colega" ao som de Puccini ou Verdi. Seria engraçado!

Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

Jerry Seinfeld Stand-Up

As pessoas envelhecem. Algo inevitável.

E já reparou que tudo diminui na medida em que envelhecemos? As pessoas "encolhem", ficam menores; comem porções menores de comida; dormem menos; têm menos relações sexuais.... Tudo é menor, com exceção dos automóveis! O carro que as pessoas possuem fica cada vez maior de acordo com a idade!

E quando dirigindo, parece que não se preocupam em olhar para os lados ou pelo espelho retrovisor antes de fazer qualquer manobra. "Por que esperar? O meu tempo de vida é menor, então não vou gastar tempo com isso!" Mas aí, quando estão dirigindo, guiam seus grandes carros lentamente pelas ruas e avenidas. Vai entender!

E os cientistas? Alguns passam anos pesquisando a cura para uma doença, uma vacina, ou o que causa uma certa anomalia ou disfunção. E tem outros pesquisadores que se dedicam a, por exemplo, desenvolver uma melancia sem semente!

Pois é! Ficaram 15 anos tentando desenvolver uma fruta sem sementes! Acho que o pesquisador pensou: "Ok! O câncer é importante, a AIDS é importante; mas precisamos parar com essa coisa chata de ter que cuspir sementes toda vez que comemos melancia!"

*textos extraídos e adaptados do Jerry Seinfeld Stand-Up in New York

Sábado, 3 de Maio de 2008

Bicicleta como meio de transporte


"Especialista critica projeto de uso de bicicleta como transporte no Rio."

Para o engenheiro Fernando MacDowell, especialista em transportes, o projeto da Secretaria estadual de Transportes (Setrans) de transformar o Rio numa espécie de Amsterdan (Holanda), com a bicicleta servindo como meio de transporte para a população, é uma temeridade. Segundo ele, o projeto não tem como funcionar no Rio, pois a cidade não oferece segurança para os ciclistas. Além disso, a medida também não soluciona os problemas do trânsito carioca.


Vi a notícia no Globo.com (leia na íntegra).

Conheço Amsterdã e algumas outras cidades no mundo onde o uso da bicicleta como transporte é bastante comum. E sempre tentei imaginar as grandes cidades brasileiras cheias de bicicletas nas ruas.

Na minha opinião, entre muitas outras ações necessárias para que a idéia dê certo, as cidades precisam de muitos quilômetros a mais de ciclovias, leis eficientes para o uso das bicicletas no trânsito, e principalmente, de uma melhora significativa na educação (inclua educação no trânsito e respeito pelo próximo).

Mas, pegando Paris como exemplo, é curioso saber que um especialista de transporte aqui no Brasil é contra a idéia de difundir a bicicleta como meio de transporte. Paris tem um dos sistemas de transporte público mais eficientes do mundo, com quilômetros de metrô por toda a cidade, e nem por isso deixa de ter problemas de trânsito. Como em inúmeras outras cidades, os parisienses são bem dependentes dos carros. Mas o governo da França está constantemente tentando encorajar os cidadãos com faixas exclusivas para as bicicletas, proibição de carros em certas áreas da cidade nos finais de semana, aumento das taxas sobre os combustíveis, e constante divulgação dos males causados pela poluição gerada pelos carros.

Por lá, o governo agiu em conjunto com engenheiros, representantes dos transportes públicos, indústria de bicicletas, e associações de transporte em geral, para que pudessem defender juntos a idéia de "fazer com que a bicileta seja segura e prazerosa para que possa ser usada como meio de transporte em seu direito". Isso foi em 1996. Mais de 10 anos depois da implantação, pesquisas mostram que 71% da população apóia o programa de incentivo do governo ao uso da bicicleta como meio de transporte.

Sem ir muito longe, no Guarujá (cidade litorânea próxima de São Paulo) 15% da população utiliza a bicicleta como meio de transporte, com um crescimento de 5% ao ano nessa taxa. O município conta com cinco estacionamentos exclusivos para bicicletas, alguns funcionando 24 horas. Essa quantidade de bicicletas como meio de tranporte levou as cidades da região a adequarem suas estruturas urbanas para este tipo de transporte. Guarujá implantou 16,47 km de ciclovias/ciclofaixas e estão previstos mais 12,89 km a serem implantados até 2011.

Pois é! É tão difícil aparecer alguém com essas idéias "inovadoras e revolucionárias", que quando se tenta fazer algo em favor da população e do meio-ambiente, a primeira reação é dizer que não dará certo. Com boa vontade dos governantes, incentivo à população, e melhora na educação de trânsito, acho perfeitamente possível adotar a bicicleta.

Quarta-feira, 30 de Abril de 2008

Alô, alô, marciano











Alô, alô, marciano
Aqui quem fala é da Terra
Pra variar estamos em guerra
Você não imagina a loucura
O ser humano ta na maior fissura porque
Tá cada vez mais down o high society

Alô, alô, marciano
A crise tá virando zona
Cada um por si todo mundo na lona
E lá se foi a mordomia
Tem muito rei aí pedindo alforria porque
Tá cada vez mais down o high society

Alô, alô, marciano
A coisa tá ficando russa
Muita patrulha, muita bagunça
O muro começou a pichar
Tem sempre um aiatolá pra atola Alá
Tá cada vez mais down o high society

Domingo, 27 de Abril de 2008

Novas notícias que ninguém aguenta mais

Me lembro de muitas vezes ter ouvido que o brasileiro tem memória curta, que se esquece facilmente de fatos importantes, etc e tal. Mas ninguém aguenta mais ouvir/ver/ler as mesmas notícias em todos os meios de comunicação. Que coisa chata!

Um mês depois da morte da menina que foi jogada de seu apartamento, ainda existe uma cobertura jornalística tão intensa que parece que o crime foi semana passada. O padre que não era dotado de inteligência o suficiente para imaginar que sua "aventura" iria acabar mal, também não sai dos noticiários. Ah! Uma boa seria fazer a reconstituição de sua intrépida jornada para ver se conseguiam algumas pistas! rsrsrs!

Quando não são as notícias já batidas, são as "ultra-interessantes" manchetes sobre a vida de pessoas famosas. Informações necessárias para qualquer cidadão. O que faria se não soubesse que aquela atriz da novela jantou noite passada em um restaurante qualquer; ou se me privassem de saber que um ex-BBB foi preso por agredir os seguranças de uma boate; ou blá blá blá blá blá....

Mas é disso que o "povo" gosta! É isso que dá ibope! Um telejornal, jornal impresso, ou noticiário qualquer seria muito chato (ou menos rentável) se tivesse mais notícias de teor cultural e educativo, não?

Os noticiários estão cada vez mais chatos! É por essas e outras que prefiro andar de bicicleta.

Boa noite!

Quinta-feira, 24 de Abril de 2008

Passando férias em São Paulo


Estar de férias em São Paulo é no mínimo diferente. Existem boas oportunidades, como ir ao cinema às duas e meia da tarde, sem fila, sala vazia; andar de bicicleta no Parque do Ibirapuera no meio da tarde; andar de bobeira enquanto todo mundo na rua procura uma vaga pra estacionar; olhar o trânsito e achar graça dos neuróticos; passar no trabalho dos amigos pra tomar um café e ver todo mundo doido; assistir sessão da tarde tomando sorvete, fazer compras no supermercado enquanto tem menos gente, e tantas outras coisas de causar inveja a quem está no árduo trabalho diário.

E dá pra perceber que tudo está lotado, cheio e quase explodindo. O trânsito está caótico pela falta de boas opções de transporte público, por qualquer lado que se olha há carros e mais carros. As pessoas estão cada vez mais nervosas. Bem menos educadas e mais loucas.

Como a Terra agüenta tanto peso e maus tratos? Será que esse pequeno terremoto não dá indícios de que precisamos preservar muito e nos preocupar mais com esse lugar que tanto nos tem a oferecer?

Por um lado acho que está tarde demais. A começar pelas estações do ano. Já não são as mesmas faz tempo. Tudo está trocado, um verão com frio, um frio que não é frio, um outono com cara de verão. O sol queima mais do que deve, por conta de um buraco que fizeram pra ele entrar sem pedir licença. A chuva inunda tudo, porque destruíram o caminho pelo qual ela costumava passar, o asfalto e concreto bloqueiam tudo.

E por outro lado o ser humano é muito inteligente. Para novas invenções e descobertas, porém, falta em seu dicionário, cérebro ou conhecimento o significado de preservar. Será que aquela consciência de que se cada um fizer um pouco, juntando dá muito ainda funciona. Hum!!! Tenho minhas dúvidas.

Quando a gente se coloca de fora, e olha para esse “Mundão”, dá medo de pensar como serão minhas próximas férias. Seja lá onde ela for.